“Comprometimento individual e esforço conjunto – isso é o que faz funcionar, um time, uma empresa, uma sociedade, uma civilização.”
(Vince Lombardi)
A Maçonaria é uma Ordem transformadora. Seus ensinamentos, somados à vontade individual, têm o poder de transformar o homem e desbastar suas asperezas. Em quatro anos de Ordem, já pude observar as diferentes fases pelas quais a minha também jovem Oficina passou. Presenciei diversas iniciações, elevações, exaltações e filiações. Vi novos Irmãos chegarem à Loja e também muitos abandonarem as reuniões. Como Ven∴ M∴ tive essa percepção aguçada e levantei muitos questionamentos sobre os motivos que levam os OOb∴ a abandonar a sua Oficina e o convívio dos IIr∴. Tentarei no decorrer desta Peça de Arquitetura apresentar minhas conclusões sobre este problema, que afeta o funcionamento e a saúde financeira de diversas Lojas de nossa jurisdição.
Várias são as causas que podem estimular os OObr∴ a esta evasão das sessões, que ocorre sobretudo com os MM∴MM∴ (mas não está restritas a estes). Tal fato, somado ao questionamento de alguns IIr∴, me levou a crer que em grande parte isso se dá devido ao fato destes MM∴MM∴ se sentirem “subutilizados” nas sessões. Sempre que tenho a oportunidade, esclareço que os trabalhos em Loja não se restringem apenas aos cargos que possuem papel em trabalhos ritualísticos. Uma Loja forte e dinâmica deve contar com os esforços e com a dedicação de todos os seus OObr∴. A Loja Liberdade e Progresso, por exemplo, sempre incentivou seus membros a participarem dos trabalho de diversas formas, seja em suas tradicionais Instruções Históricas, seja no convite a novas ideias, seja no debate amistoso e produtivo entre os IIr∴ ou seja na divulgação de conhecimento contido em suas colunas, através da elaboração e apresentação de Peças de Arquitetura ou ainda nos mais recente projeto “Quarto de Hora de Estudos”.
Podemos enumerar ainda outras causas para que os IIr∴ abandonem suas Oficinas. O motivo mais recorrente que escuto como Ven∴ M∴ é a ocorrência de compromissos particulares. Curioso ouvir esta afirmação, pois ela implica que as nossas reuniões não são compromissos. Mas afinal, ao sermos iniciados não nos comprometemos todos a frequentar nossas Oficinas, por meio de um solene juramento? Os laços criados dentro de Loja, me fizeram criar um compromisso não apenas com a Oficina, mas também com cada um dos IIr∴ que dedicam seu tempo e trabalho ao mesmo propósito. Sei que todos possuímos afazeres profanos que vez ou outra nos impossibilitam de comparecer à Sessão, o que está em questão é o abandono da Loja e de um compromisso firmado com toda a Oficina e seus Irmãos.
Outro motivo recorrente em diversas Lojas da jurisdição é a experiência de problemas financeiros pelos OObr∴. Cada Loja precisa de seus membros a fim de funcionar, não apenas pelos custos de funcionamento, mas também pelo quórum mínimo de IIr∴ necessário para que a reunião ocorra. O quórum previsto para as sessões, inclusive, muitas vezes se mostra desconhecido, pois quando os IIr∴ não informam ao Ven∴ M∴ de sua ausência este interpreta como uma presença garantida e o Ágape é dimensionado para um número de IIr∴ maior do que a realidade, gerando um custo desnecessário para a Loja. A melhor solução é procurar o Ir∴ Tes∴ ou o Ven∴ M∴ e explicar a situação, pois o mesmo ocorre com a tesouraria, a Loja possui uma projeção de receita e um ponto de equilíbrio pra quitar todos os seus compromissos financeiros, mas a evasão da Oficina sem justificativa ao Ven∴ prejudica a Loja duplamente, pois além de não saber se pode ou não contar com a presença do Ir∴, a Loja ainda paga mensalmente à GLOMAM um valor proporcional ao número de OObr∴ que possui. . Esse abandono acaba prejudicando as reuniões e enfraquece a Loja. Lembrem-se a Loja precisa dos OObr∴ presentes e de sua força de trabalho e não apenas de sua contribuição financeira, mas esta não é menos necessária!
Por fim, temos a preguiça. Confesso que muitas vezes, após um longo dia de trabalho, eu mesmo me encontro cansado e com certa preguiça de ir à sessão, porém, além das atribuições de Ven∴ M∴, me sinto extremamente incomodado apenas ao pensar em faltar a reunião enquanto os demais OObr∴ comparecem a mesma, dedicando um pouco do seu tempo e abrindo mão de diversas outras atividades para cumprirem com a sua palavra. A preguiça é um vício que cada Maçom deve combater e tentar extirpar de seu âmago, afinal de contas, como disse nosso Ir∴ Benjamin Franklin, “a preguiça anda tão devagar que a pobreza facilmente a alcança”.
Há também a curiosidade. Muitos iniciados em nossa Ordem aceitam o convite de seu padrinho apenas pra matar a curiosidade sobre o que ocorre em nossos Templos e após frequentarem uma ou duas reuniões desaparecem sem nunca mais retornar. Mas será que estes IIr∴ são Maçons de fato? O verdadeiro Maçom deve empregar os ensinamentos recebidos em Loja em sua vida profana e promover o contínuo desbaste de seu caráter e de sua moral. Só através dessa vivência diária da Maçonaria que poderemos ser exemplos pra sociedade e nos tornarmos melhores Maçons, melhores cidadãos, melhores pais, melhores esposos, melhores profissionais. É através das nossas reuniões que somos lembrados do nosso papel e que resistimos aos caminhos mais fáceis da vida e que nem sempre são os mais corretos. Lembrem-se Maçonaria se aprende em Loja!
Finalizo esta Peça chegando à conclusão de que apenas as Iniciações podem manter uma Loja dinâmica e forte constantemente. Os AApr∴ devem ser o foco de das Oficinas, pois é apenas formando Maçons exemplares que nossa Ordem renovará a sua força e continuará perseguindo o objetivo de “tornar feliz a humanidade”. Além de renovar as colunas da Loja, promovendo um novo ciclo de aprendizado e de Instruções , não apenas aos novos membros, mas também relembrando àqueles mais antigos o valor simbólico de nossas Instruções, aprendi também que quando as Oficinas recebem novos membros a dinâmica da Loja ganha fôlego e o senso de propósito da Oficina se renova, muitas vezes trazendo de volta aqueles IIr∴ afastados. Esta constatação pode parecer simples à primeira vista mas muitas vezes as Lojas acabam focando em outras atividades que não as Iniciações e a formação dos Apr∴e como foi demonstrado neste texto isto pode se mostrar prejudicial a harmonia e força das Lojas da jurisdição. Difundamos nossos valores e formemos Maçons aptos a se destacarem na sociedade, levando os valores maçônicos aos quatro cantos da Terra!



