por GASPAR GUIMARÃES
O professor, magistrado, poeta e escritor Gaspar Antônio Vieira Guimarães, uma das figuras de maior projeção no cenário social e jurídico do Amazonas da belle époque, formado e experimentado nas lides pernambucanas da Faculdade de Direito do Recife, na qual se graduou, chegou a Manaus depois de inúmeros embates na imprensa nordestina e na política de sua terra de nascimento. Projetando-se em Manaus nos campos das letras e das relações sociais e políticas, em 1918 foi um dos escolhidos para a lista de acadêmicos fundadores da Sociedade Amazonense de Homens de Letras, depois Academia Amazonense de Letras (1920), seja pela sua trajetória juvenil de poeta publicado no Recife, pelo desempenho na imprensa diária, seja pelos conhecimentos jurídicos, notadamente na área de Direito Internacional Público, disciplina de que foi professor na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, ainda ao tempo da Universidade Livre de Manáos. Seu envolvimento em política partidária na capital amazonense, inclusive com exercício do mandato de deputado estadual, como prefeito de Segurança e chefe de Polícia, embora em período polêmico, para dizer o mínimo, entretanto, não chegaram a comprometer suas relações e formação de advogado ilustre. Foi relevante o seu papel e longa atividade na maçonaria amazonense, como destacado líder dessa organização. Magistrado, foi desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas em período conturbado da história política amazonense, mas se houve com serenidade e imparcialidade como se espera de quem exerce a judicatura, e sua aposentadoria precoce e retorno para Pernambuco, deu-se em razão de problemas de saúde. Sua bibliografia é vasta e valiosa, destacando-se, além desse estudo e inúmeros outros, o livro Vida, de cunho filosófico, em linguagem que permite boa leitura a quantos possam se debruçar sobre ele, independentemente de sua formação escolar, fruto de experiências e estudos filosóficos e maçônicos. Publicou inúmeros artigos na imprensa de Manaus e do Recife, preferindo os temas regionais nortistas e nordestinos, notadamente nos anos 1920-1930, tendo sido um dos fundadores da Associação Amazonense de Imprensa, a primeira de que se tem notícia no Estado, mas se tornou conhecido, também, pela peculiaridade de ser charadista. Tendo publicado vários livros, desde 1900, este que agora se reedita tem o mérito da função didática para os pesquisadores dos temas de interesse jurídico. A apresentação do seu Direito Internacional Público e Diplomacia, em modo que permite a exposição e circulação em rede mundial de computadores, é renovação da consagração cadêmica que, como dito, chegou ao nascer do Silogeu, e foi sempre destacada por ele em todas as oportunidades, nas conferências, solenidades e encargos que recebeu.